Abelhas | Apis

Existem várias subespécies ou raças de Apis mellifera distribuídas pelo mundo:
• Raças européias: A. melliferamellifera, A. melliferaligustica, A. melliferacarnica e A. melliferacaucasica.
• Raças orientais: A. mellifera indica e A. mellifera meda.
• Raças africanas: A. melliferaintermissa, A. melliferacapencis, A. melliferalamarckii, A. mellifera unicolor e A. melliferascutellata (adansonii).

Além da espécie A. mellifera, que é a única espécie de Apis presente no Brasil, existem outras oito espécies desse gênero no mundo: as abelhas melíferas gigantes A. dorsata e A. laboriosa; a abelha melífera indiana A. cerana; as abelhas melíferas anãs A. florea e A. adreniformis; as abelhas melíferas malasianas A. koschevnikovi e A. nuluensis e a abelha melífera de Sulawesi, A. nigrocincta.
As abelhas tiveram a sua origem há 125 milhões de anos, pouco depois do surgimento das plantas com flores (135 a 140 milhões de anos atrás).
As abelhas do gênero Apis tiveram sua origem provável na África Tropical e se espalharam do sul da África para o norte da Europa e para o leste em direção à Índia e China. Foram trazidas para as Américas com os primeiros colonizadores e atualmente estão distribuídas por todo o mundo.
No Brasil, a primeira abelha do gênero Apis a ser introduzida foi a Apis mellifera mellifera, também conhecida como abelha alemã ou preta. Foi importada no ano de 1839 pelo Padre Antônio Carneiro para o Rio de Janeiro.
Entre os anos de 1870 e 1880, Frederico A. Hanemann trouxe para o Rio Grande do Sul a abelha Apis mellifera ligustica, também conhecida como abelha italiana. Há indícios de que as espécies A. mellifera carnica e caucásica tenham sido introduzidas juntamente com a abelha italiana, naquela época.
No ano de 1956, foi trazida para o Brasil, mais precisamente para Rio Claro, SP, pelo Dr. Warwick E. Kerr, a abelha africana A. mellifera scutellata (adansonii), visando pesquisas para o estudo de características típicas dessa espécie em ambiente controlado. Por acidente, alguns enxames dessa abelha conseguiram fugir do controle e ganharam liberdade para se multiplicar no ambiente externo. A partir daí fica fácil de imaginar o que aconteceu: o cruzamento com as raças de abelhas Apis mellifera já existentes no país, dando origem às chamadas abelhas africanizadas, e a conquista de todo o território nacional.
Atualmente as abelhas africanizadas estão distribuídas em praticamente todo o continente americano, com exceção do Canadá, norte dos Estados Unidos e sul da Argentina, do Chile e do Uruguai. Em resumo, as abelhas africanizadas têm colonizadoas Américas entre os paralelos 34oN e 34oS. Cuba também não tem abelhas africanas ou africanizadas em seu plantel. Com um forte sistema de caixas-armadilhas ao longo de sua costa, a ilha tem barrado a entrada dessas abelhas em seu território.

Cristalização do mel

A cristalização do mel é um processo natural e até desejável.
O mel cristalizado não significa ser mel velho, o processo de cristalização é acelerado principalmente por dois fatores:
- Temperatura: Temperaturas próximas dos 14°C aceleram a cristalização.
- Origem floral: O mel é produzido a partir do néctar coletado pelas abelhas nas flores de diferentes plantas. A quantidade de glicose em relação a frutose presentes no néctar é variável conforme a espécie de planta. Quanto maior a quantidade de glicose em relação a frutose mais rápida será a cristalização mel.

A cristalização consiste no processo de condensação de glicose, ou seja, a aglutinação de suas partículas se transformam em cristais. A glicose tem uma tendência natural de separar-se do resto da solução e formar cristais, ou hidratos.

Os cristais do mel retornam ao estado liquido quando colocado em banho-Maria a uma temperatura de 45 C. Cabe ressaltar que quanto maior a temperatura e maior o tempo de exposição, maior será a perda de propriedades do mel.

Validade

Embora o mel seja considerado produto de origem animal, é composto por néctar oriundo das flores das plantas, acrescentado de enzimas produzidos pelas abelhas.

O néctar coletado nas flores entra na colmeia com aproximadamente 70% de umidade, antes de armazenar nos alvéolos dos favos as abelhas, através de ventilação proporcionada pelo batimento das azas, retiram parte desta umidade, deixando apenas aproximadamente 18%. Umidade insuficiente para crescimento de leveduras que são encontradas naturalmente no mel, por consequência não haverá fermentação.

Além do excesso de umidade, a claridade, temperatura e a presença de ar dentro da embalagem (evitar armazenar mel em embalagens que não estejam cheias) também aceleram a perda de qualidade do mel, recomenda-se armazenar o mel em locais com pouca claridade, baixa umidade e temperaturas amenas.

A validade do mel está estreitamente relacionada com estes fatores, pode perder qualidade em alguns segundos ou manter por muitos anos. Recomenda-se consumir em até dois anos, porém é uma recomendação geral média muito variável. Tipos de mel produzidos em SC.

Apesar de Santa Catarina ter um território relativamente pequeno, possui uma grande diversidade de plantas e tipos de solo, e por consequência composição do néctar, isso possibilita que nossas abelhas possam produzir mais de 100 tipos de méis com cor, aroma, sabor e consistência diferentes.

Os tipos produzidos em maior quantidade:

Mel silvestre: Responde pela maior parte do mel produzido em Santa Catarina, é multifloral ou seja, é produzido pelas abelhas a partir do néctar coletado em uma grande variedades de plantas, é considerado de excelente qualidade, seu sabor, aroma e consistência variam de acordo com as floradas predominantes na época em que é produzido. A coloração mais escura indica maior concentração de sais minerais, enquanto os méis mais claros normalmente são mais suaves.

Mel de eucalipto: O mel de eucalipto é produzido de março a maio, no sul do estado onde é maior a concentração desta planta, apresenta coloração âmbar e sabor mais forte, é uma boa pedida para quem precisa de um expectorante.

Mel de melato: Produzido no Planalto catarinense entre os meses de março a maio, é produzido somente em anos pares (a cada dois anos devido ao ciclo da cochonilha) o melato não é produzido a partir do néctar das flores e sim a partir de exsudatos da bracatinga, misturados a enzimas produzidas por cochonilhas (pequenos insetos sugadores, praga que ataca o tronco da bracatinga, essa por sua vez libara exsudatos).

É um mel único, de coloração escura, bastante apreciado e valorizado no exterior.

Mel de uva-japão ou tripa de galinha (nome cientifico Hovenia dulcis): Produzido no oeste do estado nos meses de novembro e dezembro, época de floração desta planta, tem cor clara e sabor extremamente suave, tem como peculiaridade o fato de dificilmente cristalizar quando armazenado em temperatura ambiente.

Também são produzidos, embora em pequena escala, mel de meliponídeos (abelhas nativas), são méis diferenciados, cujo sabor é peculiar de cada espécie, pois além do tipo de flor, os enzimas característicos de cada espécie de abelhas interfere nas características do mel.