
A estiagem que atinge Santa Catarina já provocou prejuízo de R$ 777 milhões à agricultura catarinense, segundo levantamento da Epagri/Cepa. A perda é resultado da escassez de chuva verificada no Estado desde o mês de novembro.
Nota meteorológica da Epagri/Ciram aponta que a situação veio num crescente desde outubro, quando as chuvas já começaram a ficar mal distribuídas, principalmente na região Oeste do Estado. Ao longo dos meses a estiagem ampliou sua abrangência, impactando também municípios do Litoral Sul e Alto Vale do Itajaí. “Entre março e os 17 primeiros dias de abril a chuvas ficaram entre 25% e 80% abaixo da média”, esclarece Gilsânia Cruz, meteorologista da Epagri/Ciram.
A falta de chuva atingiu principalmente a safra de grãos (milho, soja e feijão) e a produção de leite, informa a Epagri/Cepa. De acordo com relatório do órgão, o maior impacto foi sentido na safra de milho grão, com perda de 48% da produção e prejuízo de R$ 372,5 milhões. A soja, que aparece em seguida, registrou queda de 24,8% na produção e prejuízo de R$ 192,6 milhões. A produção de leite foi a terceira mais impactada, com perda de 7,4%. Na sequência aparecem fumo, feijão, milho silagem e uva, com perdas de 6,6%, 6,4%, 5,1% e 0,2% respectivamente.
“Pensando em nível global, pode-se dizer que o fenômeno La Niña é um dos principais responsáveis pela estiagem”, explica Gilsânia. O fenômeno intensifica os bloqueios atmosféricos nos oceanos Pacífico e Atlântico, inibindo a chegada de frentes frias a Santa Catarina. Nesse cenário, o estado registrou nos últimos meses massas de ar seco que deixaram algumas regiões com períodos de 7 a 10 dias sem chuva.
Previsão
A previsão não é animadora para o Oeste e Meio Oeste, as regiões mais atingidas pela estiagem. O período que vai até junho ainda deve ser marcado por chuva abaixo da média nessas regiões. Do Planalto ao Litoral, onde há municípios que também sofrem impacto da estiagem, a previsão é um pouco mais otimista e se espera valores mais próximos da média climatológica. Gilsânia ressalta que em maio e junho as chuvas diminuem significativamente em relação ao observado em um verão normal.
Gisele Dias
Assessoria de Comunicação Epagri/Ciram
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