Percepção pré-contemporânea do Clima Catarinense “Geografia-CLIMA”

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Documento histórico. Boletim n° 10 Departamento de Educação do Estado de Santa Catarina – Página 7, ano 1935. Imprensa Oficial do Estado

“O clima do Estado, nas terras baixas do litoral Estado, é húmido e quente no verão, mas varia muitíssimo com a exposição das terras. Os vales orientados segundo a linha sudoeste-nordeste são muito mais frescos do que os outros. Nos invernos fortes como no do ano de 1918, o termômetro desceu abaixo de zero. Na Palhoça desceu de 4 à 5 graus abaixo de 0.

Variando a temperatura com a latitude e a altitude, é fácil compreender que, nas latitudes mais altas, maiores devem ser os frios. Assim a temperatura de Araranguá, no mesmo nível de Palhoça, deve diferir de 2 graus para mais baixo, isto é, quando marcou 5 na Palhoça, devia ter marcado 7 em Araranguá, Variando com a altitude. Na razão de 1 grau de frio para cada 100 metros de ascenção, segue-se que as temperaturas são variadíssimas entre nós. Basta saber que temos altitude de 2000 metros. Isto quer dizer que, dada a circunstância de ter um tempo uniforme em toda a superfície do Estado haverá uma infinidade de temperaturas num só dia.
Os frios ou antes as estações do ano se acentuam mais no interior onde o clima tem um decidido caráter continental.

A mínima absoluta no Estado foi, em 1918, de 17 graus centígrados abaixo de 0, mas isso no ponto em que foi possível fazer-se observações e que, necessariamente, devia ser numa casa onde, com os fogos constantes para o aquecimento de seus habitantes, não podia dar a temperatura exata. No alto das cochilhas e nos pontos mais altos, o frio devia ter sido muito mais intenso.

As neves são bem conhecidas dos habitantes do planalto, mas nem só ali se observa este fenomeno; também em Capivari e noutros pontos como Taboleiro, é ele conhecido. As geadas são o comuns não só na região serrana como também no litoral.

Na minha barraca, em Curitibanos, resisti a 60 geadas, com temperaturas de 6 gráus abaixo de 0, no inverno de 1916.”
Autor desconhecido.

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