Sistema Pioneiro de Monitoramento Hidro-Meteorológico da Epagri/Ciram em Santa Catarina

Em 1999 a Epagri/Ciram, em parceria com a administração do Porto de Itajaí, IBAMA-CEPSUL e Fundagro, desenvolveram um sistema de monitoramento do Rio Itajaí. O sistema foi implantado para atender às necessidades operacionais no Porto de Itajaí, motivado pelo encalhe do navio de containers “Zim Brasil”, de 09 a 13/10/1997, devido a problemas em manobra decorrentes de efeitos de correnteza e variações de maré.

O excesso de chuvas a montante da desembocadura, nos rios Itajaí Açú e Itajaí Mirim, sempre foram motivo de preocupação devido à correnteza mais forte do rio na área do porto, sobretudo no momento de atracação e desatracação. Além das correntes, a alteração de calado do rio com a variação de altura de maré e a variação das cargas dos navios sempre foram obstáculos a serem vencidos. A chuva e a umidade excessiva impossibilitavam os trabalhos com carga geral (bobinas de papel, açúcar, grãos) que eram içados por sistemas de guindastes do transporte terrestre e colocados diretamente nos porões do navio, que contavam na época com um sistema mais lento de abertura e fechamento da tampa da escotilha, entre outras precariedades.

Para minimizar o efeito destas variáveis adversas, foi implantado um sistema de monitoramento com telemetria que contava com uma estação meteorológica automática instalada em terreno do IBAMA-CEPSUL, em Itajaí, equipada com sensores de temperatura e umidade relativa do ar, pressão barométrica, precipitação pluviométrica e sensor de velocidade e direção do vento à 10 metros de altura. De forma inovadora foi instalado um sensor de nível de rio. Foi a primeira estação meteorológica automática da Epagri/Ciram. Os dados coletados eram transmitidos de hora em hora, armazenados no banco de dados da Epagri/Ciram e disponibilizados para consulta instantânea, customizadas para a Home Page da operação portuária do Porto de Itajaí.

Além destas variáveis, havia a necessidade de informação em tempo real de alteração da altura de rio a montante, em Blumenau. As medições de altura do rio, como até hoje, eram feitas por leitura direta em réguas instaladas em alguns pontos do curso hídrico, mas a demanda era por observação continua e instantânea. Com este desafio, diante da dificuldade de acesso a sistemas mais sofisticados e de custo elevado, firmaram-se acordos e parcerias para instalação de uma web-cam no beiral da sala da Defesa Civil, no prédio da Prefeitura Municipal de Blumenau. As imagens transmitidas para a Epagri/Ciram contemplavam a dinâmica de elevação no nível do Rio Itajaí, identificando ondas de cheia em Blumenau e possibilitando alertas com antecedência de algumas horas, mas com tempo suficiente para garantir a segurança em manobras dos navios no Porto de Itajaí.

A equipe do setor de meteorologia da Epagri/Ciram teve grande contribuição para o êxito dos trabalhos, elaborando diariamente (de segunda a domingo) boletins com a previsão das condições de tempo e mar direcionadas à atividade portuária. Em casos de previsões do tempo extremo, eram emitidos avisos e alertas, cuja grau de severidade era confirmado ou confrontado com as informações coletadas pela rede de estações hidro-meteorológicas, e pela web-cam de Blumenau. Em algumas ocasiões, serviram de atestado em laudos meteorológicos de eventos extremos.

Até o início de 2021 o sistema de monitoramento de rios e costeiro passou por notória evolução e sofisticação, porém a estrutura inédita em 1999 garantiu sua marca na história do monitoramento ambiental Catarinense. Segundo o Diretor-Geral de Operações Logísticas do Porto de Itajaí, Sr. Heder Moritz, o sistema foi extremamente útil e imprimiu grande diferencial na segurança de manobras, garantindo agilidade e competitividade.

A dedicação, persistência e o entusiasmo de toda a equipe de profissionais da Epagri/Ciram diante dos desafios trazidos pela Administração do Porto de Itajaí, resultou em grande experiência com tecnologias telemétricas inovadoras no monitoramento hidro-meteorológico. Sua demanda e utilização foi precursora de novas necessidades trazidas por outros parceiros que atuam em Santa Catarina como CELESC, CASAN, TRACTEBEL, TRANSPETRO, ANA, INMET, entre outros.

Figura 1: Entrada da barra no canal de acesso ao Porto de Itajaí. Foto: Heder Cassiano Moritz

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Hamilton Justino Vieira

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