{"id":49937,"date":"2026-06-03T11:27:27","date_gmt":"2026-06-03T14:27:27","guid":{"rendered":"https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/?p=49937"},"modified":"2026-06-03T11:31:52","modified_gmt":"2026-06-03T14:31:52","slug":"semana-do-meio-ambiente-epagri-ciram-mapeia-remanescentes-de-vegetacao-nativa-para-auxiliar-na-recuperacao-de-areas-de-preservacao-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/index.php\/2026\/06\/03\/semana-do-meio-ambiente-epagri-ciram-mapeia-remanescentes-de-vegetacao-nativa-para-auxiliar-na-recuperacao-de-areas-de-preservacao-permanente\/","title":{"rendered":"Semana do Meio Ambiente: Epagri Ciram mapeia remanescentes de vegeta\u00e7\u00e3o nativa para auxiliar na recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente"},"content":{"rendered":"\n<p>Santa Catarina tem 600 mil hectares de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente (APP) sendo usadas para a agropecu\u00e1ria. \u00c9 quase 7% do territ\u00f3rio do estado que precisa ser recuperado para cumprir as regras previstas no C\u00f3digo Florestal Brasileiro (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12651.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei n\u00ba 12.651\/2012<\/a>). A restaura\u00e7\u00e3o vai demandar sementes para produ\u00e7\u00e3o de mudas em larga escala. Por isso, nesta semana do meio ambiente, destacamos uma pesquisa da Epagri que vai avaliar o potencial dos remanescentes como fonte de mat\u00e9ria-prima para a recomposi\u00e7\u00e3o das APPs.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Remanescentes-naturais_Luiz-Fernando-Vianna-pesquisador-Epagri.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-49939\" srcset=\"https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Remanescentes-naturais_Luiz-Fernando-Vianna-pesquisador-Epagri.png 640w, https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Remanescentes-naturais_Luiz-Fernando-Vianna-pesquisador-Epagri-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisa da Epagri\/Ciram vai mapear potencial dos remanescentes naturais como fornecedores de sementes para recupera\u00e7\u00e3o das APPs (Foto: Luiz Fernando Vianna\/Epagri)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cO produto final ser\u00e1 um mapa dos remanescentes que est\u00e3o mais saud\u00e1veis e com uma maior probabilidade de serem fornecedores de sementes e de insumos para esse processo de recupera\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, afirma o bi\u00f3logo Luiz Fernando de Novaes Vianna, pesquisador do Centro de Informa\u00e7\u00f5es de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri\/Ciram) e l\u00edder do estudo. O projeto \u00e9 financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o (Fapesc) e deve ser conclu\u00eddo at\u00e9 novembro de 2027.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da pesquisa \u00e9 gerar informa\u00e7\u00f5es que sirvam de subs\u00eddio para institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou privadas que venham a atuar no contexto do Programa de Regulariza\u00e7\u00e3o Ambiental (PRA). O PRA \u00e9 um conjunto de a\u00e7\u00f5es que inclui a restaura\u00e7\u00e3o das APPs, institu\u00eddo pelo C\u00f3digo Florestal Brasileiro. O mapeamento feito pela Epagri pode servir de base e aux\u00edlio, por exemplo, para pol\u00edticas p\u00fablicas de fomento a uma nova cadeia produtiva de sementes e mudas de esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPodemos ter um novo nicho de mercado para o pr\u00f3prio agricultor quando os programas de recupera\u00e7\u00e3o ambiental realmente entrarem em fase de implanta\u00e7\u00e3o. Em vez de produzir soja, ele poder\u00e1 produzir \u00e1rvores para vender \u00e0quele vizinho que tem um passivo ambiental na sua propriedade. Mas para construir essa cadeia produtiva, precisamos saber qual \u00e9 o estado de sa\u00fade dos remanescentes naturais em Santa Catarina e se eles t\u00eam capacidade para isso\u201d, explica Vianna.<br><br><strong>SC Rural 2 e a sustentabilidade da agropecu\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo de pol\u00edtica p\u00fablica que deve se beneficiar deste trabalho \u00e9 o SC Rural 2, lan\u00e7ado em maio. O projeto do Governo do Estado com financiamento do Banco Mundial prev\u00ea apoio aos agricultores familiares para regulariza\u00e7\u00e3o de APPs e implementa\u00e7\u00e3o de sistemas agroflorestais, espa\u00e7os produtivos que conciliam florestas e culturas agr\u00edcolas ou cria\u00e7\u00e3o de animais. Da mesma forma, estabelece a elabora\u00e7\u00e3o de planos de desenvolvimento das terras ind\u00edgenas e das comunidades quilombolas.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Remanescentes-naturais_Foto-Luiz-Fernando-Vianna.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-49940\" srcset=\"https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Remanescentes-naturais_Foto-Luiz-Fernando-Vianna.png 640w, https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Remanescentes-naturais_Foto-Luiz-Fernando-Vianna-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A pesquisa tamb\u00e9m vai propor estrat\u00e9gias de conectividade da vegeta\u00e7\u00e3o nativa com o objetivo de reduzir os n\u00edveis de fragmenta\u00e7\u00e3o (Foto: Luiz Fernando Vianna\/Epagri)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No projeto, Vianna destaca que as pol\u00edticas p\u00fablicas de recupera\u00e7\u00e3o ecossist\u00eamica dependem de \u201cdados, informa\u00e7\u00f5es e conhecimento sobre como converter os sistemas produtivos convencionais em sistemas agroecol\u00f3gicos capazes de cumprir a sua fun\u00e7\u00e3o de restaura\u00e7\u00e3o nas APPs\u201d. Para alcan\u00e7ar esse objetivo, a pesquisa inclui uma an\u00e1lise da din\u00e2mica de uso do solo dentro e fora destas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o e sua rela\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas agr\u00edcolas e ambientais implantadas nos \u00faltimos 40 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do mapa do potencial dos remanescentes naturais, a pesquisa tamb\u00e9m vai propor estrat\u00e9gias de preserva\u00e7\u00e3o e conectividade da vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Vianna lembra que a conex\u00e3o dos remanescentes naturais \u00e9 muito importante para o ecossistema. \u201cA minha forma de comunica\u00e7\u00e3o com Lages \u00e9 a estrada, mas a do cachorro-do-mato s\u00e3o os remanescentes e hoje temos muita fragmenta\u00e7\u00e3o da floresta, problema que \u00e0s vezes \u00e9 maior do que olharmos a quantidade de \u00e1rea desmatada\u201d, destaca o pesquisador.<br><br><strong>Ferramentas, desafios e oportunidades<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, Vianna e o colega pesquisador da Epagri\/Ciram F\u00e1bio Zambonim fizeram um mapeamento das \u00e1reas do territ\u00f3rio catarinense em conflito com a legisla\u00e7\u00e3o ambiental. Foi ele que chegou ao n\u00famero de 600 mil hectares. O trabalho resultou no Sistema de Mapeamento da Fragilidade Ambiental de Santa Catarina (<a href=\"https:\/\/gee-epagri.projects.earthengine.app\/view\/smfa-sc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SMFA-SC<\/a>), ferramenta que permite calcular o \u00cdndice de Fragilidade Emergente. Por meio dela, agentes p\u00fablicos podem estabelecer uma escala de prioridade na regulariza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior \u00edndice de preserva\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o entre os remanescentes ocorre nas florestas litor\u00e2neas, tanto ao Norte, a Serra do Mar, na divisa com o Paran\u00e1, quanto ao Sul, a Serra Geral, na divisa com o Rio Grande do Sul. J\u00e1 os piores \u00edndices est\u00e3o nas \u00e1reas que se estendem do Planalto ao Oeste catarinense. As chamadas florestas de faxinais est\u00e3o muito fragmentadas, e os Campos Gerais continuam sendo amea\u00e7ados e pressionados pelas planta\u00e7\u00f5es de pinus e eucaliptos.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Remanescentes-naturais_Foto-Luiz-Fernando-Vianna-pesquisador-Epagri.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-49938\" srcset=\"https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Remanescentes-naturais_Foto-Luiz-Fernando-Vianna-pesquisador-Epagri.png 640w, https:\/\/ciram.epagri.sc.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Remanescentes-naturais_Foto-Luiz-Fernando-Vianna-pesquisador-Epagri-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Piores \u00edndices de preserva\u00e7\u00e3o est\u00e3o nas \u00e1reas que se estendem no Planalto ao Oeste de Santa Catarina (Foto: Luiz Fernando Vianna\/Epagri)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do SMFA-SC, o mapeamento dos remanescentes naturais usa o Invent\u00e1rio Flor\u00edstico-Florestal de Santa Catarina, feito pela Universidade Regional de Blumenau (Furb), e outros bancos de dados com imagens de sat\u00e9lite e mapas de uso e cobertura do solo, como o MapBiomas. Para aumentar a precis\u00e3o do mapeamento dos Campos Gerais, o projeto prev\u00ea trabalhos de campo para fazer levantamentos por meio de GPS e materiais fotogr\u00e1ficos e associar estas amostras aos dados de sat\u00e9lites.<\/p>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o das APPs exige uma mudan\u00e7a de paradigma, que se tornou mais vi\u00e1vel a partir da aprova\u00e7\u00e3o do atual C\u00f3digo Florestal. Antes dele, o agricultor n\u00e3o podia produzir nada nessas \u00e1reas. Hoje, ele pode obter renda ao mesmo tempo em que colabora com a sustentabilidade. \u201c\u00c9 preciso compreender que a preserva\u00e7\u00e3o tem um vi\u00e9s muito mais social do que econ\u00f4mico. A partir dela, o agricultor contribui para a qualidade ambiental, da \u00e1gua, do ar, da biodiversidade, beneficiando a si, aos vizinhos e ao mundo inteiro\u201d, afirma Vianna.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador discorda da cren\u00e7a de que a agricultura de commodities alimenta o mundo. Para ele, o que chega \u00e0s nossas mesas est\u00e1 muito mais ligado aos sistemas agroecol\u00f3gicos do que ao agroneg\u00f3cio produtivista. Santa Catarina e sua rede de agricultores familiares \u00e9 uma prova local do sucesso desse modelo. \u201cTemos uma mesa farta de alimentos frescos, hortali\u00e7as, frutas, verduras, frutos do mar e mesmo carne, gra\u00e7as ao pequeno produtor\u201d, avalia Vianna.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Cl\u00e9ia Schmitz, jornalista bolsista na Epagri\/Fapesc<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Informa\u00e7\u00f5es e entrevistas:<\/strong><br>Luiz Fernando Vianna, pesquisador Epagri\/Ciram (48) 3665-5161<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Informa\u00e7\u00f5es para a imprensa<\/strong><br>Isabela Schwengber, assessora de comunica\u00e7\u00e3o da Epagri<br>(48) 3665-5407\/99161-6596<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<p class=\"responsive-video-wrap clr\"><iframe title=\"SAFs - Sistemas Agroflorestais: veja como implantar\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Kuc3NXTdB4Q?start=2&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santa Catarina tem 600 mil hectares de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente (APP) sendo usadas para a agropecu\u00e1ria. \u00c9 quase 7% do territ\u00f3rio do estado que precisa ser recuperado para cumprir as regras previstas no C\u00f3digo Florestal Brasileiro (Lei n\u00ba 12.651\/2012). 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