Em março de 2026, completam-se 22 anos da passagem do Furacão Catarina, o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul, que atingiu o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul entre os dias 26 e 28 de março de 2004. Destacamos a atuação fundamental dos meteorologistas da Epagri/Ciram no monitoramento imediato, previsão e alerta sobre este fenômeno inédito no Atlântico Sul, tanto pela sua raridade quanto pelos desafios científicos e operacionais enfrentados à época.
No final de março de 2004, essa capacidade técnica foi colocada à prova devido ao fato ser inédito na ciência até então. Os meteorologistas da Epagri/Ciram, utilizando imagens de satélite e modelos numéricos, identificaram uma formação atípica no Atlântico Sul. O que inicialmente parecia uma depressão extratropical evoluiu características tropicais incomuns para a região, alcançando intensidade equivalente à categoria 1 na escala Saffir-Simpson, com ventos superiores a 120 km/h. Sua formação surpreendeu a comunidade científica mundial.
A atuação da equipe foi crucial. Diante de um fenômeno sem precedentes na região, os meteorologistas trabalharam incansavelmente para reinterpretar os dados e emitir alertas precisos para a Defesa Civil e a população. O desafio era imenso: convencer as autoridades e o público da iminência de um furacão, algo até então considerado impossível no Atlântico Sul. O termo “Catarina” foi cunhado devido à proximidade com a costa do estado.
Nesse contexto, a atuação da Epagri/Ciram foi fundamental. Como órgão oficial de monitoramento meteorológico em Santa Catarina, a instituição teve papel decisivo na identificação, acompanhamento e comunicação dos riscos associados ao sistema inédito.
A atuação integrada com a Defesa Civil foi outro ponto crucial. Por meio da divulgação de informações claras e orientações à população, foi possível reduzir significativamente os impactos do furacão, contribuindo para a prevenção de danos maiores e para a proteção de vidas.
O trabalho desenvolvido pela equipe da Epagri/Ciram durante o Furacão Catarina recebeu reconhecimento nacional, com a concessão do Prêmio Sampaio Ferraz pela Sociedade Brasileira de Meteorologia, destacando a relevância técnica e científica da atuação no evento.
Mesmo depois de duas décadas, o Furacão Catarina permanece como um marco na meteorologia do Hemisfério Sul, como para o avanço da previsão e monitoramento de eventos extremos no Brasil. A experiência adquirida reforçou a importância do monitoramento e alerta e da comunicação meteorológica eficiente, mantém o trabalho da Epagri/Ciram na proteção da sociedade catarinense.
Marcelo Martins – Meteorologista da Epagri/Ciram.