NOTA METEOROLÓGICA SDC/SC e EPAGRI 10/09 – El Niño atinge intensidade forte e segue ganhando força

Segundo a NOAA, a chance do fenômeno atingir intensidade muito forte é superior a 95% entre a primavera de 2026 e verão de 2027

Uma nova atualização de monitoramento do El Niño foi divulgada pelo Centro de Previsões Climáticas dos Estados Unidos (CPC/NOAA) nesta quinta-feira (10). De acordo com o relatório, a temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4 (área do Oceano Pacífico utilizada como referência) ficou em 1,8°C acima da média em agosto, valor que caracteriza um El Niño forte

Com o rápido aquecimento que vem sendo observado, a previsão indica probabilidade acima de 95% do El Niño atingir intensidade muito forte (anomalia acima de 2,0°C) entre setembro e dezembro (Figura 1). 

Figura 1: Previsão probabilística do El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres (atualização de setembro). Os valores indicam a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte. Fonte: Adaptado de Climate Prediction Center (CPC).

  A agência afirma, ainda, que o fenômeno continua se intensificando até o fim deste ano, com 75% de chance de um El Niño histórico. Com um evento dessa magnitude, aumenta ainda mais a probabilidade de ocorrência de impactos associados ao fenômeno, como temporais e chuva volumosa no estado. 

Figura 2: Média das anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) durante o mês de agosto de 2026. Fonte: Bureau of Meteorology (BOM).

Como é definida a intensidade do El Niño?

O acompanhamento do El Niño considera diferentes regiões do Pacífico Equatorial, com destaque para a região Niño 3.4, uma das principais referências utilizadas pela NOAA.

A intensidade do fenômeno não é definida por uma temperatura observada em um único dia ou semana. Para isso, são utilizados índices que consideram a média das anomalias de temperatura do mar ao longo do mês, combinado a avaliação da persistência deste aquecimento.

De forma simplificada, valores acima de 0,5°C, na região Niño 3.4, indicam a formação do El Niño, enquanto anomalias maiores correspondem a diferentes categorias de intensidade: 

  • Fraca: 0,5 a 1,0°C
  • Moderada: 1,0 a 1,5°C
  • Forte: 1,5 a 2,0°C
  • Muito forte: acima de 2,0°C

Além do oceano, a NOAA também considera a resposta da atmosfera. O El Niño ocorre quando o aquecimento do Pacífico está associado a mudanças consistentes nos ventos, na convecção e na distribuição das chuvas.

O El Niño já está influenciando as condições meteorológicas?

Os efeitos do El Niño já são perceptíveis, uma vez que o mês de agosto (Figura 3) terminou com volumes acima do que normalmente é esperado nesta época. A região com os maiores desvios ocorreram em parte da Grande Florianópolis, onde a precipitação superou a média em 160 a 200 mm. A tendência é que esse cenário se repita no decorrer de setembro.

Figura 3: Anomalias de precipitação em julho de 2026 em Santa Catarina. Dados: Epagri/Ciram, SDC/SC e INMET. 

Nos meses de primavera e verão, a intensificação do El Niño requer maior atenção em relação às chuvas e aos temporais, já que naturalmente esse período é mais chuvoso. Com isso, tende a aumentar ainda mais a frequência de episódios de chuva e, consequentemente, os volumes totais. Assim, aumenta também o risco para ocorrências associadas à chuva volumosa, como inundações e deslizamentos, além de temporais com vendaval.

Diante desse cenário, a SDC/SC e a Epagri/Ciram mantêm o monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas. 

A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.