Nesta terça-feira (29) foi realizado o 246º Fórum Climático Catarinense, no qual meteorologistas da Defesa Civil de Santa Catarina e da EPAGRI/CIRAM, além de profissionais do IFSC e da UFSC, analisaram os cenários climáticos previstos para a primavera deste ano.
Neste ano, o El Niño vem ganhando força e trazendo impactos para o estado catarinense desde o período do inverno. Com o início da primavera, esses impactos devem ser ainda mais perceptíveis, já que o fenômeno atingiu intensidade muito forte. Para atingir esta categoria, as anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) na região equatorial do Oceano Pacífico, precisa superar 2°C. De acordo com a NOAA, na última semana, esse limiar chegou a 2,2°C.

Figura 1. Previsão das anomalias de temperatura da superfície do mar (°C) no Oceano Pacífico Equatorial, para os meses de outubro, novembro e dezembro segundo o modelo ACCESS-S2.
Ainda, de acordo com a previsão, o El Niño continuará intenso (Figura 1) nos próximos meses, com mais de 90% de probabilidade de continuar muito forte até o final deste ano. Apesar de o fenômeno perder força no início de 2027, permanece atuando pelo menos até o início do próximo outono, em março (Figura 2).

Figura 2. Probabilidade de intensidade do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres (atualização de setembro). Fonte: Adaptado de Climate Prediction Center (CPC).
A primavera teve início no dia 22 de setembro e se prolonga até 21 de dezembro. Esta estação costuma ser marcada pelo aumento gradual das temperaturas à medida que o verão se aproxima e, além disso, é um período normalmente chuvoso em Santa Catarina, marcado por temporais com vendaval e granizo. A Figura 3 apresenta os volumes normalmente observados nos próximos meses.
Com isso, o período de outubro a dezembro deve ser marcado por uma frequência ainda maior na atuação de sistemas meteorológicos que trazem chuva e temporais. Essa condição já vem sendo observada nos últimos meses, inclusive com registro de granizo em diversas regiões do estado.
Como resultado de tempestades mais frequentes e intensas, são esperados volumes acima do que se observa normalmente em todo o estado, principalmente nos meses de outubro e novembro. Essa condição aumenta a probabilidade de impactos relacionados a temporais com vendaval e granizo, além das ocorrências relacionadas aos altos volumes de chuva, como enxurradas, inundações e deslizamentos.

Figura 3: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) outubro, (b) novembro e (c) dezembro. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.
Em relação às temperaturas, os meses de outubro e novembro devem apresentar um padrão comum para esta época, com valores dentro da média climatológica. Ainda são esperadas temperaturas mais baixas pela manhã, com episódios isolados de frio. Nestes meses, com os dias de tempo fechado, ocorre pouca variação de temperatura, assim as tardes não devem ser de muito calor.
A partir de dezembro, com a aproximação do verão, a chuva continua acima da média, mas os temporais de verão, que ocorrem de forma mais isolada, passam a ser mais frequentes. Com isso, as temperaturas também se elevam em relação aos meses anteriores.
Diante desse cenário, o trimestre deve ser acompanhado com atenção redobrada, com intensificação do monitoramento das condições meteorológicas e dos acumulados de chuva, especialmente durante a atuação de sistemas capazes de provocar chuva intensa e tempestades severas, com granizo grande e intensas rajadas de vento.
HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS
As figuras abaixo mostram o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne uma série de 29 anos (1995–2019) e totaliza 5.540 ocorrências de desastres.
Na Figura 4, pode-se observar um alto número de ocorrências registradas nos meses de primavera, principalmente em outubro (mais de 500). Esse comportamento é esperado, já que, normalmente, são meses com alta frequência de temporais e episódios de chuva persistente.

Figura 4. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
Esse aumento também pode ser visto nas Figuras 5 e 6, que mostram as ocorrências relacionadas a vendavais e enxurradas, respectivamente. Ambas apresentam um mínimo anual nos meses de inverno e um aumento significativo na primavera.

Figura 5. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais. Fonte: UFSC, 2020.
No mês de outubro, por exemplo, o estado apresenta, em média, 100 ocorrências relacionadas a vendavais e mais de 150 relacionadas a enxurradas. Neste ano, com o El Niño atuando com maior intensidade na primavera, o aumento nas ocorrências pode ser ainda maior.

Figura 6. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
RECOMENDAÇÕES
A Proteção e Defesa Civil reforça que este período, apesar da menor frequência, apresenta potencial para tempestades severas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de ventos fortes, granizo e chuvas volumosas.
Em casos de chuva persistente, com altos volumes, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.
Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.