Imagens de satélite mostram que 25% de Florianópolis está urbanizada

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Atualmente considerada como uma cidade de médio porte, Florianópolis possui uma população estimada de 508.526 habitantes segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2021). A capital catarinense possui uma área de 450 km2, sendo 97% da área na parte insular e o restante na parte continental.

Em 30 anos a população de Florianópolis mais que dobrou, passando de 236 mil em 1989 para aproximadamente 500 mil habitantes em 2019 (IBGE, 2021).

Área urbanizada de Florianópolis próximo à Lagoa da Conceição. Foto: Kleber Trabaquini.

Segundo estudos orientados pelo pesquisador da Epagri/Ciram, Dr. Kleber Trabaquini, a área urbana de Florianópolis que ocupava em 1989, cerca de 15% (6.999 km2) do município, passou a ocupar em 2019, 25% (11.500 km2), ou seja, incremento de 4.600 km2 de área urbana, com um crescimento populacional de 264 mil habitantes em 30 anos. Se comparada às outras capitais do sul do Brasil, Florianópolis tem a menor taxa de urbanização, sendo que Porto Alegre atualmente possui 36,3% e Curitiba, 71,6%. Os dados foram extraídos do Projeto Mapbiomas (http://mapbiomas.org), o qual fornece dados de cobertura do solo a nível nacional desde 1985, a partir de processamento de imagens orbitais de dois satélites americanos, Landsat-5 e Landsat-8.

População (habitantes) e área urbana (%) de Florianópolis entre o período de 1989 e 2019. Fonte: IBGE e Mapbiomas.

O pesquisador Dr. Kleber Trabaquini, que trabalha com sensoriamento remoto, ressalta a importância do uso de imagens orbitais para um melhor entendimento do processo de ocupação do município, e comenta que alguns fatores podem ser melhor entendidos através da interpretação das imagens de satélite.

Imagens dos satélites Landsat-5 de 1989 (à esquerda) e Landsat-8 de 2019 (à direita) sobre Florianópolis. (Fonte: USGS – Landsat).

É fácil notar as diferenças entre as imagens de 1989 e 2019, principalmente quando comparados os principais bairros de Florianópolis, onde a expansão urbana é mais concentrada.

Comparativo de imagens de 1989 e 2019, da expansão urbana de alguns bairros de Florianópolis. (Fonte: USGS – Landsat).

Por meio das imagens orbitais e dos dados do Mapbiomas, é possível identificar que a expansão urbana avançou principalmente sobre áreas de agropecuária (agricultura e pecuária), e com menos intensidade, sobre as áreas de florestas (mata nativa e mangue). Isso pode ser explicado pelo fato de as áreas de agropecuária estarem concentradas em áreas de relevo plano, o que facilita a expansão da urbanização. A classe agropecuária representava 23% (9.500 km2) do município de Florianópolis em 1989, ao passo que em 2019, passou a ocupar 12% (5.455 km2), uma redução de 4.045 km2. A floresta que ocupava 51% (22.726 km2) do município em 1989, em 2019 representa 47% (20.870 km2), uma redução de apenas 1.888 km2.

Cobertura das classes agropecuária e floresta nos últimos 30 anos em Florianópolis (Fonte: Mapbiomas).

Segundo o pesquisador da Epagri/Ciram, Kleber Trabaquini, os dados de satélite podem auxiliar no diagnóstico e atual situação de como se encontra e como está sendo ocupado o solo do município, e posteriormente a partir da análise destes dados, pode ser feito um planejamento mais detalhado das ocupações, bem como auxiliar no plano diretor do município. O que também é altamente positivo para o município, já que se pode através destes dados, priorizar áreas de proteção, bem como evitar o avanço desordenado da mancha urbana sobre áreas de florestas, mangues, restinga, entre outras áreas de conservação.

Contato:

Dr. Kleber Trabaquini – Pesquisador em Sensoriamento Remoto – Epagri/Ciram

E-mail: klebertrabaquini@epagri.sc.gov.br

Telefone: (48) 998687600