Epagri conquista mais dois troféus do Prêmio Expressão de Ecologia e consolida título de maior vencedora da história

A Epagri é ganhadora em duas categorias do 32º Prêmio Expressão de Ecologia, criado em 1993 pela Editora Expressão para valorizar iniciativas voltadas à sustentabilidade e à preservação dos recursos naturais. Maior vencedora da história da premiação, a empresa coleciona 27 troféus Onda Verde. Nesta edição, venceu com os projetos “Indicação Geográfica do Alho Roxo do Planalto Catarinense”, na categoria Agropecuária, e “Transformando Bambu em Renda”, na categoria Manejo Florestal Sustentável.

Epagri é a maior vencedora do Prêmio Expressão de Ecologia (Foto: Divulgação/EditoraExpressão)

A lista dos premiados foi anunciada em março e a solenidade de entrega dos troféus será no dia 26 de junho de 2026, às 19 horas, no Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa (Alesc), em Florianópolis. A 32ª edição teve 146 projetos inscritos por empresas e instituições dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Para definir os 54 vencedores, os jurados levaram em conta critérios como relevância, inovação, impacto ambiental e potencial de replicabilidade.

Indicação Geográfica do Alho

O projeto “Indicação Geográfica do Alho Roxo do Planalto Catarinense” foi inscrito no Prêmio Expressão de Ecologia por Hamilton Justino Vieira, pesquisador do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram/Epagri) e especialista em IGs. O pedido para concessão está em tramitação no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) na categoria Denominação de Origem (DO).

Indicação Geográfica do alho roxo tem potencial para aumentar a renda dos agricultores e estimular a preservação dos recursos naturais e a biodiversidade local (Foto: Aires Mariga / Epagri)

A Epagri é uma das protagonistas do processo, iniciado no ano de 2021, mas não está sozinha. A empresa atua em parceria com Cidasc, Secretaria de Estado da Agricultura, Sebrae e UFSC. As instituições apoiam científica e tecnicamente os municípios e os produtores rurais que formam a Cooperativa Regional Agropecuária do Meio Oeste Catarinense (Copar), autora do pedido de concessão da certificação ao INPI.

“Esse prêmio é de todos esses atores, principalmente das famílias de produtores de alho roxo. Assim que recebemos a notícia, contamos para técnicos e agricultores que participam do projeto. Esperamos que a próxima notícia seja a concessão da Indicação Geográfica, que traz o reconhecimento a um saber-fazer, promovendo o patrimônio cultural e ambiental de um grupo de produtores rurais”, destaca Hamilton.

O desenvolvimento do projeto envolveu uma série de etapas. Entre elas, a elaboração de um caderno de especificações técnicas que padronizam o manejo e garantem as características tradicionais do alho roxo. Hamilton explica que uma IG indica que o produto tem características únicas, decorrentes das condições de clima, relevo e do saber-fazer, de um conhecimento adquirido por meio da experiência e da prática contínua.

Outra etapa importante foi a realização de pesquisas científicas para comprovar a relação entre as condições ambientais do Planalto Catarinense e a qualidade físico-química e bioquímica do alho roxo. O estudo foi fundamental para delimitar a área da IG, abrangida pelos municípios de Caçador, Lebon Régis, Frei Rogério, Fraiburgo, Monte Carlo, Brunópolis e Curitibanos. São 482 produtores que cultivam 1.314 hectares da hortaliça.

O alho roxo tem características únicas, decorrentes das condições de clima, relevo e de um ‘saber-fazer’ adquirido por meio da experiência e da prática contínua (Foto: Divulgação/Epagri)

A região é a terceira maior produtora de alho do Brasil, com cerca de 12 mil toneladas colhidas ao ano. O pesquisador Hamilton explica que a IG tem potencial para aumentar a renda dos agricultores, além de estimular a preservação dos recursos naturais, a adoção de práticas sustentáveis, a conservação do solo e a biodiversidade local.

“No momento, estamos fazendo alguns ajustes solicitados pelo INPI, mas acreditamos que estamos na reta final. A Epagri participou do processo de concessão de grande parte das Indicações Geográficas conquistadas por Santa Catarina, é um trâmite lento com um trabalho de conscientização dos produtores. É um processo que tem começo, mas não tem fim. A responsabilidade das instituições e dos produtores rurais com a IG é permanente”, explica Hamilton.

Cadeia produtiva do bambu

O projeto “Transformando Bambu em Renda”, vencedor na categoria Manejo Florestal Sustentável, mostra como desenvolvimento econômico e preservação ambiental podem andar juntos. A iniciativa foi inscrita pelo especialista em gestão e educação ambiental, Élcio Pedrão, extensionista social da Epagri e uma figura carimbada no Prêmio Expressão de Ecologia. Esta é a terceira vez que ele conquista a façanha. As anteriores foram em 2013 e em 2023.

O bambu é matéria-prima para mais de 10 mil itens e ajuda na contenção de encostas e na proteção de nascentes e da mata ciliar, entre outros benefícios ambientais (Foto: Aires Mariga / Epagri)

O objetivo do projeto inscrito nesta edição é desenvolver a cadeia produtiva do bambu em Santa Catarina para garantir uma nova e sustentável fonte de renda no campo. A iniciativa começou em 2019 sob a coordenação de Gilmar Michelon Dallamaria, engenheiro-agrônomo aposentado da Epagri, e referência em bambu. Um acordo de cooperação foi assinado entre Epagri e Associação Catarinense de Bambu (Bambusc).

Para estimular o plantio e o beneficiamento da espécie, foram traçadas duas estratégias: capacitação de produtores rurais e desenvolvimento de pesquisas sobre diferentes cultivares. Só no Brasil, existem cerca de 280, entre nativos e exóticos. Em seis anos, mais de 2 mil pessoas passaram pelos cursos oferecidos pela Epagri em todas as regiões do Estado. Muitos se tornaram multiplicadores e estima-se que o impacto alcançou 1,2 mil famílias.

Anualmente, são realizadas, em média, 20 capacitações, abordando temas como manejo do bambu; construção de móveis, artesanatos e utensílios; utilização de bambu na construção civil e produção de conservas de brotos de bambu. O projeto também instalou, em 2019, sete unidades de observação de cultivares de bambu nos Centros de Treinamento da Epagri. Além de fornecer informações agronômicas e servir como espaço didático, as unidades produziram matrizes para a propagação e a distribuição de mudas aos produtores.

Mais de 2 mil pessoas passaram pelos cursos oferecidos pela Epagri desde 2019 (Foto: Divulgação/Epagri)

Segundo Elcio, o potencial de geração de renda a partir da produção de bambu é enorme. Há mais de 10 mil itens catalogados e registrados para fabricação com bambu. Mas a espécie não traz apenas vantagens financeiras. O cultivo do bambu também pode ser utilizado para a proteção ambiental. Ele serve para contenção de encostas, recuperação de solo, quebra vento, sequestro de carbono, drenagem, proteção de nascentes e mata ciliar e abrigo para fauna.

“Os danos provocados pelo desastre ambiental ocorrido no Rio Grande do Sul em 2024 seriam menores se houvesse o incremento de mata ciliar com uso de bambu”, exemplifica Elcio. Para ele, muitos agricultores deixaram de ver a espécie como uma planta útil apenas para amarrar alho e cebola e dar suporte aos pés de tomate. Mas ainda há uma longa caminhada para a consolidação da cadeia produtiva do bambu. O troféu Onda Verde é um passo importante nesse sentido.

Prêmio Expressão de Ecologia

Categoria Agropecuária – Epagri (Hamilton Justino Vieira)

Leia projeto na íntegra: Indicação Geográfica do Alho Roxo do Planalto Catarinense

Categoria Manejo Florestal Sustentável – Epagri (Elcio Pedrão)

Leia projeto na íntegra: Transformando Bambu em Renda

Por: Cléia Schmitz, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc

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Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
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