El Niño em desenvolvimento


O Climate Prediction Center (CPC) da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) divulgou na quarta-feira, 10/06, a atualização do monitoramento do aquecimento das águas no Pacífico Equatorial, indicando que a temperatura da superfície do mar (TSM) está 0,5°C acima do normal no trimestre março-abril-maio, ou seja, já estamos sob condições de El Niño (Figura 1). Ressalta-se, contudo, que a configuração do fenômeno se confirmará caso estas condições persistam por pelo menos 5 meses consecutivos, o que é esperado que ocorra. Além das águas mais quentes no Pacífico, o enfraquecimento dos ventos alísios, que são os ventos de leste próximo à superfície na região Equatorial, e o aumento da atividade convectiva no centro-leste do Pacífico Equatorial indicam um padrão oceânico e atmosférico associado ao El Niño, devendo permanecer nos próximos meses e se intensificar de acordo com os prognósticos de modelos climáticos apontando a ocorrência de um episódio de El Niño de intensidade muito forte, com maior anomalia de TSM (acima de 2,0°C) nos meses de primavera/verão, especialmente nos trimestres outubro-novembro-dezembro e novembro-dezembro-janeiro (Figura 2).

O El Niño afeta o clima em várias partes do Planeta, incluindo o Brasil, causando secas no norte, ondas de calor no Centro Oeste e Sudeste, bem como chuvas volumosas na região Sul. Em Santa Catarina (SC), o fenômeno deixa o inverno mais úmido, chuvoso e com frio menos rigoroso. Além disso, é na primavera que os totais de precipitação tendem a ficar mais elevados, com alto risco de chuva acima da média entre setembro e novembro, podendo chegar ao dobro e triplo do esperado para a época do ano em algumas regiões do Estado. A ocorrência de frio tardio ao longo da primavera também será desfavorecida.

Acompanhe as atualizações e previsões divulgadas pela Epagri/Ciram e pela Defesa Civil de SC, com orientações para o agricultor e a população em geral sobre os impactos do El Niño no clima do Estado.

Figura 1 – Anomalia de TSM entre 01 e 25 de maio de 2026. Fonte: Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC)

Figura 2 – Probabilidades de intensidade do El Niño para os próximos trimestres com base no índice Relative Oceanic Niño Index (RONI). Os dados foram emitidos em junho de 2026. Fonte: CPC/NOAA