Nesta quarta-feira (28) foi realizado o 247º Fórum Climático Catarinense, no qual meteorologistas da Defesa Civil de Santa Catarina e da EPAGRI/CIRAM, além de profissionais do IFSC e da UFSC, analisaram os cenários climáticos previstos para o próximo trimestre.
No último mês, o El Niño atingiu a intensidade muito forte, quando as anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) na região equatorial do Oceano Pacífico superam 2°C. De acordo com a NOAA, na última semana, esse limiar chegou a 2,5°C na média semanal, valor mais alto registrado desde o início do fenômeno.
O El Niño é conhecido por deixar o tempo mais chuvoso na região Sul do Brasil. Nos últimos meses, o estado do Paraná tem sido um dos mais afetados por eventos extremos. Em Santa Catarina, os impactos ficaram concentrados, principalmente, no Grande Oeste, Planalto Norte e Litoral Norte, resultando em ocorrências relacionadas a alagamentos, enxurradas, deslizamentos e inundações. Dentre as áreas mais afetadas destacam-se os municípios de Anchieta e Maravilha, com acumulados de 430 mm e 379 mm, respectivamente. No Litoral Norte, Garuva registrou 395 mm, seguido por Joinville com 365 mm.
Além disso, o El Niño influenciou no comportamento das temperaturas no estado. Com o aumento de dias nublados as temperaturas ficaram mais baixas do que o normalmente observado nessa época do ano, trazendo maior sensação de frio ao longo de outubro.

Figura 1. Previsão das anomalias de temperatura da superfície do mar (°C) no Oceano Pacífico Equatorial, para os meses novembro de 2026 a janeiro de 2027 segundo o modelo ACCESS-S2.
Para os próximos meses, a previsão mostrada na Figura 1, indica manutenção do El Niño, com 96% de chance de continuar na categoria muito forte até fevereiro de 2027. O fenômeno começa a perder força a partir do trimestre de Fevereiro a Abril/27, mas a tendência é de que continue ativo até o início de
outono do próximo ano (Figura 2).

Figura 2. Probabilidade de intensidade do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres (atualização de outubro). Fonte: Adaptado de Climate Prediction Center (CPC).
A tendência é que as chuvas continuem frequentes com a possibilidade de acumulados acima do esperado no período de novembro de 2026 a janeiro de 2027, principalmente na Região Oeste. Até o final da primavera (entre novembro e dezembro), ainda se espera a atuação de sistemas meteorológicos como ciclones e frentes frias e de massas de ar frio no Sul do país. Com a aproximação do verão as temperaturas se elevam e os temporais passam a ser mais frequentes no fim de tarde. Nessa época, os temporais são relacionados, principalmente, à chuva intensa em curto período de tempo com potencial para provocar alagamentos e enxurradas.

Figura 3: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) novembro, (b) dezembro e (c) janeiro. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.
Temperaturas esperadas para os próximos três meses
No mês de novembro as temperaturas seguem próximas da média climatológica. Com dias mais nublados as tardes devem ser mais amenas como temos observado nos últimos meses. No entanto, entre dezembro e janeiro, a tendência é de elevação das temperaturas, com episódios de calor intenso, típicos da estação de verão. Mesmo assim, são esperadas temperaturas mais baixas pela manhã, com episódios isolados de frio.
Diante desse cenário, o trimestre deve ser acompanhado com atenção redobrada, com intensificação do monitoramento das condições meteorológicas e dos acumulados de chuva, especialmente durante a atuação de sistemas capazes de provocar chuva intensa e tempestades severas, com granizo grande e intensas rajadas de vento.
HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS
As figuras abaixo mostram o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne uma série de 29 anos (1995–2019) e totaliza 5.540 ocorrências de desastres.
Na Figura 4, pode-se observar um alto número de ocorrências registradas no período, principalmente em dezembro e janeiro.

Figura 4. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
Esse aumento também pode ser visto nas Figuras 5 e 6, que mostram as ocorrências relacionadas a vendavais e enxurradas, respectivamente. Em relação aos vendavais, observa-se uma redução no número de ocorrências, o mesmo acontece com as enxurradas, entre novembro e dezembro.

Figura 5. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais. Fonte: UFSC, 2020.
No mês de outubro, por exemplo, o estado apresenta, em média, 100 ocorrências relacionadas a vendavais e mais de 150 relacionadas a enxurradas. Neste ano, com o El Niño atuando com maior intensidade na primavera, o aumento nas ocorrências pode ser ainda maior.

Figura 6. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.
RECOMENDAÇÕES
A Proteção e Defesa Civil reforça que este período, apesar da menor frequência, apresenta potencial para tempestades severas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de ventos fortes, granizo e chuvas volumosas.
Em casos de chuva persistente, com altos volumes, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.
Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.
