El Niño
Entenda o Fenômeno
Uma análise científica sobre o El Niño-Oscilação Sul (ENOS), seus mecanismos, índices de monitoramento e impactos no Sul do Brasil.
Fases do Fenômeno
Neutra
Condições próximas à média histórica.
Aquecimento
Anomalias positivas de TSM começam a se organizar.
El Niño
Aquecimento anômalo consolidado no Pacífico Equatorial.
Impactos
Alterações na circulação atmosférica global e regional.
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O que é o El Niño?
El Niño representa uma das fases de manifestação do fenômeno atmosférico-oceânico El Niño-Oscilação Sul (ENOS). De maneira geral, o ENOS altera padrões de temperatura da superfície do mar (TSM) e circulação atmosférica global, apresentando três fases principais:
- Fase El Niño: caracterizada pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico Equatorial central e leste.
- Fase La Niña: identificada pelo resfriamento anômalo nessas mesmas regiões oceânicas.
- Fase Neutra: quando não há anomalias significativas nessas áreas, mantendo-se condições próximas à média histórica.
Índices de Monitoramento do ENOS
Acompanhamento técnico dos principais índices utilizados para caracterizar as fases do fenômeno.
Índice Niño Oceânico (ONI)
O Índice Niño Oceânico (Oceanic Niño Index – ONI) é calculado a partir da média móvel trimestral da anomalia da temperatura da superfície do mar (TSM) na região Niño 3.4 do Pacífico Equatorial, sendo que anomalias superiores a 0,5°C ou inferiores a -0,5°C, mantidas por pelo menos cinco meses consecutivos, indicam ocorrência de El Niño ou La Niña, respectivamente.
Índice Oscilação Sul (SOI)
O Índice Oscilação Sul (Southern Oscillation Index – SOI) representa a diferença da pressão atmosférica reduzida ao nível médio do mar entre Taiti e Darwin. Valores negativos do índice estão associados ao fenômeno El Niño, enquanto valores positivos indicam a ocorrência de La Niña.
Índice Niño Oceânico Relativo (RONI)
O Índice Niño Oceânico Relativo (Relative Oceanic Niño Index – RONI) tem sido recentemente utilizado no monitoramento do ENOS de forma a reduzir a influência do aquecimento global, calculando-se a anomalia de TSM na região Niño 3.4 e subtraindo a anomalia média de TSM tropical.
Impactos no Sul do Brasil
Compreenda os principais impactos no clima em episódios de El Niño.
Aumento das Chuvas
A chuva aumenta no Sul do Brasil, com valores acima da média climatológica em toda ou parte da região, especialmente na primavera.
Intensificação de sistemas atmosféricos
As frentes frias podem ficar semi-estacionadas por vários dias. O jato subtropical fica mais intenso sobre o Sul do Brasil, contribuindo para geração de instabilidades atmosféricas.
Invernos menos rigorosos
Em relação à temperatura do ar, a tendência é de aumento, com massas de ar frio menos frequentes e duradouras no inverno.
Monitoramento Constante: Acompanhe os boletins da Epagri/Ciram para orientações técnicas e alertas meteorológicos durante os períodos críticos.
Perguntas Frequentes
Pergunta
Chuva abundante, enchentes e deslizamentos só ocorrem em anos de El Niño?
O fenômeno El Niño é de escala global, mas não é o único que determina as condições do tempo e clima no Sul do Brasil. Um bom exemplo é a enchente em novembro de 2008 no Vale do Itajaí, que registrou o maior número de mortos da história de Santa Catarina. Ela ocorreu sob atuação do fenômeno La Niña. Naquele ano, a chuva ocorreu de forma frequente desde setembro, encharcando o solo, resultando em graves deslizamentos. Porém, enquanto chovia sem parar na faixa Leste, no Oeste do Estado a situação era de grave estiagem, com problemas no abastecimento de água. Essa situação — mais chuva no Litoral e Vale do Itajaí, e falta nas demais regiões — é bem típica durante episódios de La Niña.
EVENTOS DE EL NIÑO
Alguns casos de El Niño expressivos.
Enchentes graduais de longa duração (semanas). Novembro de 82 e Maio de 83 muito crítico no Oeste de SC. Junho de 83 ainda muita umidade no solo de SC, culminando em Julho com volumes de chuva excepcionais e inundações severas em todas as regiões. Colapso total da capacidade de drenagem hídrica da Bacia do Itajaí, bem como da infraestrutura urbana e isolamento temporário de cidades.
Grandes volumes de chuva acumulados, mas com picos de cheia ligeiramente mais espaçados no tempo se comparados a 1983. Outubro de 97 em todo o Estado e Novembro do Oeste aos Planaltos tiveram grandes volumes. O final do verão 97/98 e início do outono de 98 foram críticos no Oeste Catarinense com forte resposta hidrológica.
Maiores volumes de chuva em Julho de 2015 do Meio-Oeste ao Oeste de SC com quase 500 mm e forte resposta hidrológica. Alguns outros meses como Outubro de 2015 também causaram impactos no Planalto Norte e algum impacto no Vale do Itajaí. Alto impacto em perdas de solo na agricultura de SC.
Diversos eventos de chuva volumosa, principalmente início de Outubro de 2023. Acumulados mensais > 400 mm no Estado; do Oeste aos Planaltos e Vale > 600 mm; sucessão de inundações com destaque para o Alto Vale. Mais de 50 mil propriedades rurais e pesqueiras atingidas em Outubro: quase R$ 2 bilhões em danos. Outono de 2024 com repique na Grande Florianópolis e no Litoral Sul.