Técnicos da Epagri/Ciram fazem vistoria na estação de monitoramento apícola em Bocaina do Sul

A estação monitora peso, temperatura e umidade relativa do ar no interior das colmeias, transmitindo a cada hora para serem disponibilizadas na plataforma: Apis On-line https://ciram.epagri.sc.gov.br/apicultura/monitor-colmeias.jsp

As estações estão instaladas no apiário do Sr. Luiz Camargo Becker que atua na apicultura desde os 7 anos de idade, auxiliando seu pai. Sua família possui uma longa tradição na área, com seu pai, avô e bisavô também sendo apicultores. Seu filho de 4 anos, Heitor, já demonstra interesse pela apicultura, manuseando quadros, sugerindo a continuidade da tradição familiar.

A produção de mel é orgânica. Em 2008, o apiário da família obteve a certificação CIF (Serviço de Inspeção Federal) para exportação, sendo o terceiro em Santa Catarina a alcançar esse status. A certificação orgânica também começou em 2008. Historicamente, o mel era exportado para a Alemanha e Europa, e mais recentemente para os Estados Unidos.

O número de colmeias flutua anualmente, sendo fortemente influenciado pelo inverno. Invernos muito frios ou chuvosos causam alta mortalidade de enxames (podendo perder cerca de 500 caixas). Atualmente, possuem cerca de mil caixas, um número menor do que o pico de 1.500 caixas atingido entre 2008 e 2012.

Um ano bom é caracterizado por uma primavera (especialmente setembro) com pouca chuva, o que permite que as abelhas prosperem, resultando em boa produção de mel claro e, posteriormente, mel escuro. Este ano foi considerado bom, com a colheita de cerca de 30 tambores de mel claro.

Invernos chuvosos mantêm as abelhas dentro das colmeias, levando a mortes, proliferação de fungos e pragas como a Varroa. Um inverno ideal é seco e moderadamente frio.

A venda para exportação é o foco, pois as instalações são adaptadas para isso. Vender mel em potes (R$30/kg) é menos vantajoso devido ao tempo de embalagem e riscos. A venda em baldes de 18 litros (aproximadamente 23 kg) é feita a R$20/kg. Contratos de “comércio justo” garantem um preço mínimo de $2/kg para a exportação, oferecendo uma certa estabilidade, embora o mercado interno possa, ocasionalmente, pagar mais.

Luiz não percebe uma mudança drástica na agressividade diária das abelhas. No entanto, ele relata que seu avô usava apenas uma máscara para o manejo, ao contrário do macacão completo necessário hoje, o que pode indicar um aumento na agressividade ao longo do tempo.

Quando uma rainha está em declínio, ela é substituída. Isso é feito introduzindo um quadro com larvas de uma colmeia forte para que as abelhas criem uma nova rainha. A introdução de rainhas compradas (por exemplo, de Bom Retiro) tem sido desafiadora, com baixa taxa de sucesso.

Com 26 anos e cerca de 20 anos na apicultura, Luiz almeja continuar na atividade por muitas décadas, possivelmente até os 60 ou 70 anos.

Contato:

Hamilton Justino Vieira

E-mail: vieira@epagri.sc.gov.br