A Epagri e a Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi) realizaram em Rio do Sul o evento “El Niño: Ciência e Decisões para Agricultura”. O encontro aconteceu no dia 29 de junho e reuniu prefeitos, secretários municipais, agricultores, jornalistas e outros membros da sociedade preocupados com a situação dos municípios da região diante do excesso de chuva que o El Niño pode provocar a partir de setembro.

“O objetivo foi dirimir dúvidas e oferecer informações precisas sobre a ocorrência do fenômeno, que pode causar grande volume de chuva na primavera catarinense”, relata Cristina Pandolfo, gerente da Epagri/Ciram. Ela dividiu com a meteorologista Marilene de Lima o painel “El Niño e Agricultura em Santa Catarina”, que informou os reais riscos do setor diante da consolidação do fenômeno.

Paralelamente, a meteorologista Maria Laura Guimarães Rodrigues e a jornalista Gisele Dias reuniram-se com jornalistas e assessores de imprensa das prefeituras locais no workshop “Precisão em Comunicação para o El Niño”. Maria Laura explica que o intuito foi orientar a imprensa regional quanto às fontes oficiais de informação sobre previsão e monitoramento das condições meteorológicas em Santa Catarina. Foram apresentados sites e outros produtos de comunicação pensados para dar mais autonomia à imprensa, de modo que os jornalistas possam encontrar informações precisas, seguras e fundamentais na iminência ou mesmo durante a ocorrência de fenômenos meteorológicos extremos que atinjam a região.
O evento também contou com uma audiência pública da Assembleia Legislativa de SC, convocada pelo deputado Oscar Gutz.

Site traz recomendações para agricultura e outras orientações
Durante o evento ainda foi lançado o site https://ciram.epagri.sc.gov.br/elnino/, desenvolvido para oferecer informações sobre o fenômeno para toda a sociedade. O site reúne recomendações para a agricultura e a apicultura, além de trazer definições e ferramentas para acompanhamento da evolução do El Niño.
O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, ou seja, a região do oceano Pacífico que fica no entorno da linha do equador. “É um fenômeno de interação oceano-atmosfera com diferentes impactos globais”, explica Maria Laura.
Ela esclarece que no Sul do Brasil o El Niño costuma causar chuvas volumosas na primavera, além de um inverno mais chuvoso e menos frio. O Fenômeno segue no status Em Desenvolvimento. “Os modelos apontam ocorrência de El Niño muito forte, com anomalia de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) acima de 2,0°C na primavera/verão, especialmente de outubro a janeiro”, pontua a meteorologista.
Apesar da previsão de um El Niño muito forte, ainda é cedo para dizer se seus efeitos também serão de grande intensidade, ou seja, não se pode afirmar ainda se ele vai trazer grande volume de chuvas nos próximos meses para os catarinenses.
Maria Laura explica que já houve em Santa Catarina episódios de El Niño fortes que não causaram grandes desastres naturais. Por outro lado, alerta ela, o Estado já registrou chuvas muito intensas, que causaram perdas de vidas e prejuízos econômicos expressivos e que não estavam ligadas ao fenômeno, como é o caso de novembro de 2008. “A recomendação é acompanhar sistematicamente a previsão do tempo, havendo ou não indicativo de evento meteorológico extremo”, recomenda a meteorologista da Epagri/Ciram.

