NOTA METEOROLÓGICA EPAGRI E SDC/SC27/06 – Previsão Climática para o trimestre julho, agosto e setembro de 2026

No 243º Fórum Climático Catarinense, realizado em 26 de junho, meteorologistas da SDC/SC e da Epagri/Ciram, juntamente com profissionais e pesquisadores de instituições de ensino, como o IFSC e a UFSC, analisaram os cenários climáticos previstos para o restante do inverno e início da primavera deste ano.

Nos próximos meses, com a intensificação do El Niño, espera-se um aumento gradual da frequência das chuvas e uma redução na frequência e na duração dos episódios de frio intenso, tendência que deve se tornar mais evidente a partir de agosto. Os modelos climáticos indicam que o fenômeno deve persistir pelo menos até o início do outono de 2027 (Figura 1). Além disso, há cerca de 60% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão. 

Figura 1: Previsão probabilística do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres (atualização de junho). Fonte: Adaptado de Climate Prediction Center (CPC).

Os meses de inverno, julho e agosto, costumam ser pouco chuvosos em Santa Catarina, no entanto, neste ano, com a influência do El Niño no início de julho já será possível notar uma mudança no comportamento das chuvas em comparação ao período anterior, que vinha sendo mais seco. A chuva se torna mais frequente e, consequentemente, os acumulados mensais tendem a aumentar, ficando acima da média climatológica em ambos os meses

Em setembro, com o início da primavera, a tendência de chuva acima da média se torna mais acentuada. Isso ocorre porque a intensificação do El Niño ocorre em um período do ano que, naturalmente, já apresenta maior frequência de chuva e tempestades em Santa Catarina. 

Como consequência dos maiores volumes de chuva no trimestre, aumenta também a probabilidade de impactos associados às condições meteorológicas, sobretudo enxurradas, inundações e deslizamentos, principalmente durante episódios de chuva persistente ou de elevados acumulados de precipitação.

Figura 2: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) julho, (b) agosto e (c) setembro. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.

É importante destacar que, além das projeções de maiores volumes de chuva no próximo trimestre, os temporais típicos da primavera podem começar com antecedência, ainda durante o inverno. Isso ocorre porque o El Niño favorece uma atmosfera mais quente e úmida, criando um ambiente mais propício ao desenvolvimento de tempestades, que podem vir acompanhadas de chuva intensa, granizo e rajadas fortes de vento. 

Em relação às temperaturas, julho ainda deve apresentar características típicas do inverno, com a ocorrência de episódios de frio intenso associados a massas de ar frio. Dessa forma, apesar da tendência de chuva acima da média, o mês deve apresentar temperaturas dentro do esperado. Já em agosto e setembro, o aumento da nebulosidade e da frequência das chuvas tende a reduzir a intensidade e a duração dos períodos de frio, favorecendo temperaturas acima da média climatológica e um final de inverno mais ameno.

HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS

As figuras abaixo mostram o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne uma série de 29 anos (1995–2019) e totaliza 5.540 ocorrências de desastres. 

Na Figura 3, pode-se observar um aumento no número de ocorrências registradas nos meses de setembro em comparação a julho e agosto. Esse comportamento é esperado, já que, normalmente, os meses de inverno apresentam menos chuva e, consequentemente, menos impactos relacionados às condições meteorológicas. 

Figura 3. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.

Esse aumento também é mostrado nas Figuras 4 e 5, que mostram o número de ocorrências relacionadas a vendavais e enxurradas, respectivamente. Ambas apresentam o mínimo anual nos meses de inverno, mas aumentam significativamente na primavera. Neste ano, com o El Niño atuando com maior intensidade na primavera, o aumento nas ocorrências pode ser ainda mais perceptível. 

Figura 4. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais. Fonte: UFSC, 2020.

Figura 5. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.

RECOMENDAÇÕES

A Proteção e Defesa Civil reforça que este período, apesar da menor frequência, apresenta potencial para tempestades severas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de ventos fortes, granizo e chuvas volumosas. 

Em casos de chuva persistente, com altos volumes, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes. 

Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.

A Secretaria da Proteção e Defesa Civil reitera a necessidade de acompanhar diariamente os Avisos e boletins de previsão do tempo devido às constantes atualizações nos modelos meteorológicos.